quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

RELATÓRIO CONFIDENCIAL: INFORMANTE NA PETROBRAS REPASSOU INFORMAÇÕES INTERNAS A INVESTIGADORES


Funcionário (de carreira) não foi ouvido como testemunha e é mantido no anonimato nos autos de um dos 75 inquéritos abertos no decorrer da Operação LAVA-JATO

Um relatório confidencial de 17 páginas produzido pela POLÍCIA FEDERAL indica que um funcionário "de mais de 30 anos" na Petrobras tem ajudado os investigadores da OPERAÇÃO LAVA-JATO a indicar caminhos para investigações que atingem negócios feitos em diversas áreas da estatal, como aluguel de navios e suposto superfaturamento em projetos internacionais.

As informações foram prestadas pelo informante há 9 meses, mas não há indicação de que os dados tenham sido aprofundados ou confirmados pela POLÍCIA FEDERAL. Parte do depoimento foi revelado pelo jornal "O GLOBO", na edição desta quinta-feira (11/12).

O funcionário não foi ouvido como testemunha e é mantido no anonimato nos autos de um dos 75 inquéritos abertos no decorrer da OPERAÇÃO LAVA-JATOSegundo a POLÍCIA FEDERAL, o funcionário se sentiu motivado a colaborar por estar "descontente com a administração da empresa e o sucateamento da Petrobras". Uma equipe de policiais federais de Curitiba (PR) foi até o Rio de Janeiro encontrá-lo, em abril de 2014, numa conversa que começou às 14h e terminou às 18h.



O informante afirmou que um ex-diretor da Petrobras, JOSÉ RAIMUNDO PEREIRA, que teria sido indicado pelo ministro de Minas e Energia, EDISON LOBÃO, "teria enviado a Houston (EUA)" um homem de sua confiança "com o objetivo de realizar contratos de afretamento (aluguel) de navios" na refinaria de PASADENA. Porém, a sócia da Petrobras no empreendimento, a ASTRA OIL, não aceitou que os contratos fossem fechados. 

O informante diz que a ASTRA OIL desconfiou dos preços cobrados. Com esse empecilho, a Petrobras então alugou navios no Golfo do México, "um dos projetos da Petrobras América"

O informante acredita que os aluguéis foram feitos a "um custo três vezes maior" na comparação com "serviços similares na região da Bacia de Campos", no Rio de Janeiro, porém não exibiu provas de cotação dos preços.

A respeito da compra da refinaria (Pasadena), o funcionário da Petrobras disse que a estatal "aproveitou-se dos termos técnicos e a alta complexidade do assunto para ocultar diversos aspectos obscuros nesta transação" que, segundo ele, foi "fraudulenta".


Nestor Cerveró


Sobre a Área Internacional da Petrobras então chefiada por NESTOR CERVERÓ, o informante sugeriu que a POLÍCIA FEDERAL investigue negócios que contrariaram "diversos pareceres técnicos que os rejeitavam". Citou como exemplo o bloco de exploração da Petrobras desenvolvido em Angola. Segundo o informante, os chefes do setor internacional da Petrobras receberam pareceres de geólogos que "apontavam indícios de que a Petrobras não deveria sequer participar do leilão, pois não havia indícios de lucros ou rentabilidade na exploração de tais áreas". A estatal então decidiu não participar da disputa. 

Porém, anos depois, sempre segundo o informante, ela comprou "50% dos direitos de exploração destes poços arrematados no leilão pelo mesmo valor que a empresa inicial arrematou a totalidade dos direitos anos atrás".

Segundo o informante, o problema residiu no preço. Ela teria pago US$ 500 milhões por metade dos direitos. Porém, disse o funcionário da estatal, esse foi o mesmo valor pago anos atrás "por 100% dos direitos"

Os problemas continuaram, segundo o informante da POLÍCIA FEDERAL. A Petrobras abriu 3 poços para prospectar o petróleo no bloco, com custo unitário que oscilou em US$ 80 milhões a US$ 120 milhões. Porém, "os poços mostraram-se secos"

"O prejuízo total deste projeto foi de cerca de US$ 700 milhões, sendo US$ 500 milhões utilizados para adquirir 50% dos direitos e outros US$ 200 milhões em perfuração de poços que já se sabia serem secos", afirmou a POLÍCIA FEDERAL em relatório, com base nos dados fornecidos pelo informante. 

Uma roubalheira vergonhosa!!! Cadeia neles!!! Cadeia também para os diretores da Petrobras de 1992, 1993, 1994, 1995, 1996...

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