quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

PARA LULA, SÓ ACORDO COM EDUARDO CUNHA SALVA DILMA



Passado o Carnaval, Dilma terá desafios duros na política e na economia

Se levar em conta os conselhos que recebeu do ex-presidente Lula numa conversa em São Paulo antes do Carnaval, o primeiro passo pós-folia da presidente Dilma Rousseff será tentar um acordo de convivência com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Mas um acordo para valer. Não uma foto protocolar com a que foi tirada numa reunião há duas semanas, após Eduardo Cunha derrotar o Palácio do Planalto na eleição para a presidência da Câmara.

O ex-presidente Lula disse a Dilma que, para recuperar o controle do Congresso, precisará de um acordo com o presidente da Câmara, já que ela tem um bom entendimento com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Lula lembrou que, em 2005, quando Severino Cavalcanti (PP-PE) se elegeu presidente da Câmara, ele o recebeu para uma conversa no Palácio do Planalto e fez um acordo. "Tive a humildade de ir falar com ele", teria dito o ex-presidente. 

Logo após a explosão do escândalo do mensalão, Lula se acertaria com a então parcela oposicionista do PMDB. Portanto, o desafio é um acordo real com Eduardo Cunha e o PMDB, que ainda não aconteceu desde a derrota na eleição para a presidência da Câmara.

Sem um acordo com Cunha e o PMDB, com uma nova CPI da Petrobras adiante, com o isolamento do PT no Congresso e com a possibilidade de a oposição ficar com comissões importantes, há possibilidade de o governo não aprovar as medidas do ajuste fiscal. E isso pioraria a situação do governo.

Daí essa ser a prioridade do Palácio do Planalto, algo que demanda uma correção dos erros na política para ajudar na economia. Governadores e prefeitos também enfrentam situação de caixa complicada neste início de ano e têm tomado medidas de controle de gastos. 

Lula aconselhou Dilma a buscar o apoio de governadores e prefeitos para fazer pressão sobre o Congresso a fim de ajudar a aprovar as medidas do pacote fiscal. Eles ajudariam. Mas é a presidente que tem de fazer o principal lobby a favor das medidas. 

A presidente também precisa, com maior frequência, vir a público defender as suas medidas. Não basta um discurso por mês, ora na reunião ministerial, ora num pronunciamento. É um trabalho que ela tem de fazer todo cotidianamente, entrando em contato com os líderes aliados no Congresso e vendendo o seu peixe. Só melhorando a economia a presidente terá chance de terminar bem o mandato.

Uma coisa é certa: Eduardo Cunha manda muito!!!

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