sexta-feira, 7 de abril de 2017

LEMBRAR É VIVER!!! Quem é o Comunitas? - Parte 02

Entidades irmãs
CRC, organização criada em 2009, e a Alfasol (Alfabetização Solidária), surgida em 1998, são como entidades irmãs da Comunitas. Dividem o mesmo prédio: “Edifício Ruth Cardoso”, na Rua Pamplona 1.005, na capital paulista. E a composição de seus orgãos de direção e colegiados registra algumas nomes coincidentes.
As três organizações são presididas por Regina Célia (que integra ainda o Conselho Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, e outros colegiados). Gilda Portugal exerce, como visto, a vice-presidência dos conselhos da Comunitas e do CRC — Consultivo, neste caso. Rosa Maria Fischer também integra o Conselho Consultivo do CRC, ao lado do professor da Faculdade de Direito da USP e ex-ministro Celso Lafer (presidente), do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de seus filhos Paulo Henrique, Luciana e Beatriz Cardoso, num total de vinte e três componentes.
Comunitas define-se como “organização da sociedade civil brasileira que tem como objetivo contribuir para o aprimoramento dos investimentos sociais corporativos e estimular a participação da iniciativa privada no desenvolvimento social e econômico do país”. A principal decorrência disso parece ser a busca de parcerias com prefeituras e órgãos estatais, com base na proposição de que o Estado é deficiente e tal colaboração pode levar a superar os “gargalos” e “inconsistências” da atuação do poder público. A Comunitas acredita-se detentora ou facilitadora de saberes e metodologias empresariais que, mediante “treinamento”, serão repassados a gestores e funcionários públicos.
A revista Exame, do grupo Abril, exalta assim uma dessas parcerias, em reportagem laudatória publicada em 2015: “Nos últimos dois anos, a Prefeitura de Santos, no litoral paulista, tem passado por um choque de eficiência que tirou um bocado de seu ranço de repartição pública e a tornou, em alguns aspectos, parecida com uma empresa. Um exemplo: os 12.000 servidores municipais agora passam por avaliações de desempenho periódicas, uma prática comum na iniciativa privada. Caso atinjam os objetivos, que incluem redução de despesas e metas de produtividade, recebem um salário extra”.
Depois de enumerar avanços como o aumento de 20% no número de crianças atendidas em período integral nas escolas municipais de Santos, a revista explica: “Para definir onde a Prefeitura pode ganhar eficiência, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) e seus secretários passam por uma sabatina a cada três meses com alguns empresários de porte, como Rubens Ometto, sócio da Cosan, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do Brasil, e José Ermírio de Moraes Neto, conselheiro do grupo Votorantim”. O prefeito, diz Exame, “faz parte do Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável”, cujo objetivo é “reunir empresários e poder público para melhorar a gestão das cidades”.
A presidente da Comunitas reforça esse discurso. A seu ver, “a gestão pública no Brasil é muito fechada em si e tem o desafio de trabalhar conjuntamente com o empresariado e a sociedade civil para elevar o nível de eficiência dos serviços destinados à população”. Prossegue: “A iniciativa privada está sempre pensando no futuro. A gestão pública tem primeiro um planejamento olhando para as coisas que aconteceram e como ela reage ao presente. E, quando pensa no futuro, é no período de gestão daquele governo. É um planejamento de governo, e não de Estado”.

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