terça-feira, 2 de maio de 2017

MÁFIA DAS PRÓTESES TAMBÉM EXISTE NA ITÁLIA - SÓ QUE BEM MAIS COMEDIDA...

Norberto Confalonieri

Sérgio Cortes e Sérgio Cabral 

Dois episódios ocorridos com alguns dias de intervalo e 10 mil quilômetros de distância surpreenderam a comunidade ortopédica. Em 23 de março, o médico titular de ortopedia do Hospital Público Gaetano Pini, de Milão (Itália), Norberto Confalonieri, foi colocado em prisão domiciliar sob acusação de corrupção e conluio, por favorecer dois grandes fabricantes de próteses, a DePuy daJohnson & Johnson (multinacional americana) e B.Braun (da Alemanha), em troca de incetivos financeiros, jantares, viagens e gravatas da famosa grife Marinella. Ortopedista de renome internacional, 66 anos, altamente especializado em cirurgias de próteses de quadril e joelho, com mais de 9 mil intervenções, ficou em evidência pelas suas frequentes aparições em programas de televisão por ter sido pioneiro em técnicas cirúrgicas com navegação computadorizada. O fato chamou a atenção do fisco italiano (nossa Receita Federal) que passou a monitoras a suas conversas telefônicas. Como sempre, o peixe morre pela boca. Comentários em termos não muito ortodoxos sobre pacientes e cirurgias chamara a atenção de promotores italianos e vazaram para a mídia sensacionalista, cujo lema é que "avião só é notícia quando cai". De um ida para outro foi execrado, o que levou uma juíza de Milão a decretar a sua prisão domiciliar. Apesar de até esta data não ter sido provado que recebeu propina dos fabricantes de próteses, somente pelo fato de ter tido pagos jantares, viagens para Congressos e ter recebido duas gravatas de presente (no valor de 400 euros) justificaram a pena imposta. A esses fatos se associaram algumas queixas de pacientes cujo resultado cirúrgico foi insatisfatório. Em 9 mil cirurgias de alta complexidade sempre haverá alguma com mau resultado. De nada adiantaram centenas e centenas de manifestações de pacientes e colegas ortopedistas a seu favor. Devo Salientar que o fato de um cirurgião ter preferência por tipos específicos de próteses é perfeitamente normal; a sua técnica se aprimora e os resultados são melhores. O que NÃO É ÉTICO quando em função dessa preferência o cirurgião receba comissões, o que pode influenciar nas suas indicações cirúrgicas. Entretanto, apesar desses fatos não terem sido comprovados, em função do grande escândalo que se seguiu, a sua vida pessoal e profissional foram definitivamente abaladas.

Alguns dias após esse fato, em 11 de abril de 2017, no Rio de Janeiro foi preso o ortopedista Sérgio Cortes, ex-diretor do INTO (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) e ex-secretário estadual de Saúde de Sérgio Cabral. Investigações revelaram desvios de R$ 300 milhões de reais nas compras de próteses e equipamentos quando diretor do INTO, onde hoje há mais de 10 mil pacientes aguardando cirurgias, alguns há anos, conforme revelado cotidianamente na imprensa. Quando secretário estadual da Saúde, com pretensões a ministro, foi importante componente da quadrilha de Sérgio Cabral e um dos responsáveis pela calamitosa situação da assistência médica no estado fluminense. A associação com distribuidores (tipo Oscar Iskin) delatada pelo sub-secretário, deve ter multiplicado muitas vezes o valor dos desvios no INTO. A diferença de valores entre as benesses que os 2 ortopedistas obtiveram, o italiano e o brasileiro, é gritante; entretanto as penalidades são semelhantes. Tomara que consigamos chegar no Brasil, como da Operação Lava Jato, aos mesmos resultados conseguidos pela Operação Mãos Limpas na Itália.

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